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em seu vigésimo aniversário, decidiu dar a si mesma um par de asas, enquanto ele, que a prendia ao solo, ficou para trás.
mas rapidamente ele também se aprumou. encontrou um barco e foi remando, até cansar do mesmo e decidir afundá-lo. trocou por uma pedra preciosa que, no entanto, carecia de lapidação. carregou e lapidou a pedra por muito tempo. o esforço consumiu toda sua energia. a recompensa foi a força que ganhou nos braços, a resistência que o corpo adquiriu. mas a mente estava em frangalhos.
e ao largar a pedra, agora menor, polida, belíssima, porém sem valor algum para ele, foi procurar algo mais, enquanto ela, aquela do primeiro parágrafo, ainda voava.
procurava sempre quem o fizesse lembrar dela. uma silhueta, um sorriso, um mesmo par de olhos ou os cachos do cabelo. por vezes buscou apenas seu perfume na rua, em vão. não que não tenha encontrado nada de valor, mas... não era ela.
se ao menos pudesse juntar a amizade de uma, a mente de outra, o beijo dessa, o corpo daquela, o furar de uma outra... mas ainda assim não seria ela.
ela não era mais ela. era outra, muito parecida, no riso e no rosto, na paixão e no amor. mas não era mais ela. ele nunca mais teria ela de volta. mas sempre continuaria procurando...
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